Sou do céu.
Do fundo do mar, da superfície, da ponta do lápis, da ponta do dedo da bailarina, da flor, das calcinhas, dos lençóis, dos sabonetes, dos xampus. Da capa do livro de poesia, da roupa do palhaço, da bolsa da madame, da canela da criança, do olho do bandido, da olheira. Da carne crua, do mofo, das veias, do vinho, da mancha, da parreira, da língua do chow-chow. Da fita de cetim, da saia da cigana, do chapéu da bruxa, do palito de picolé, do pelo do pincel, da chama do fogo, da água-viva, do morto.
Sou do olho de quem olha fixamente para a luz e depois fita o branco da parede.
Sou da mente de quem fecha os olhos e vislumbra o infinito.
Sou o demônio. A cólera. A guerra.
Sou o confete. A chuva. Sou serpentina.
Um piscar de olhos.
No mais, sou doce.
A cor roxa.
jan2008
Carta pra Mabel
One Comment
Alinne
Tua forma de escrever é muito bela, vais construindo do inesperado figuras profundas de estar. Parabéns;
beijim
carmen